Sou bom, sou caridoso — mas há um problema:
um fio de cabelo me separa de quem sou hoje
do mal que guardo em mim.
Se eu perder o que tenho,
se perder o que venho perdendo,
não haverá mais motivo para o homem bom existir;
não haverá mais razão para manter contido
o mal que vive em mim.
Se eu perder, não sei por quanto tempo conseguirei segurá-lo.
Se eu perder, não sei do que ele é capaz.
Serei refém dele pelo resto da vida:
um monstro que se alimenta da minha honra,
corroído pelo ego, sempre à espreita,
pronto para assumir o meu lugar.
Não vou deixar.
Não vou me entregar.
Mas ele é mais forte.
E já começou a me derrubar.
