Acordei mais uma vez de um sonho ruim. Estou aqui ansioso, preocupado se eu sou motorista ou se o destino é inevitável como um trem em movimento. Novamente eu acordo com uma piscada diante do abismo, com o destino que mais temia me abraçando e eu tendo que aceitar como se fosse do meu agrado.
Hoje é 13 de março de 2026, um mês após meu aniversário. Acordo vendo a imagem do que não queria. Nem quero conferir pra ver se é real; da última vez já era, da última vez o pesadelo me atingiu sem dizer licença ou desculpa.
Novamente eu aqui lutando e, diante do inimigo, mais uma vez mostro fraqueza. O que fazer se ele é onipresente? O que fazer se ele dita todas as regras que definem o mundo? O que fazer se ele age como Deus?
O tempo é cruel, insaciável, impossível vencê-lo se você não for o escolhido. O meu anjo não é Miguel, não é Nicolas, muito menos o Gabriel; é uma guerra perdida.
Cada vez flerto mais com a ideia de fazer uma longa viagem, aquela que é só de ida, que as pessoas choram na dor da despedida. Se livrar do peso que a realidade impõe e viajar para sempre na busca de curar a dor.
Penso eu que talvez em outra realidade tenha dado tudo certo, eu tenha vencido. Mas aqui me vejo em cenário de terra arrasada, prateleiras vazias diante da crise que abala. Como não olhar no vidro da vitrine e imaginar eu? Mas sei lá, isso é uma roupa que não me cabe, é canção cujo o tom eu não encaixo, um sapato que no meu pé fica apertado.
O que me resta é esperar as trombetas que irão anunciar meu fim. Sem o glamour que a vitrine mostrou, sem a honra que o sonho levou; sem nada, só um apagar de luzes numa segunda-feira ou domingo qualquer.
