Hoje em dia, é muito difícil conviver com nossas próprias frustrações, causadas por situações que nós mesmos criamos. É complicado lidar com nosso eu interior. Também é difícil suportar o silêncio dos inocentes e o barulho ensurdecedor dos culpados, em um mundo onde nossas sombras projetam todas as frustrações sobre nós
É difícil sair à rua carregando o peso dos condenados, mesmo com a alma limpa como a de um bebê. Não é fácil olhar para trás e evitar repetir os mesmos passos rumo ao abismo interior da nossa solidão.
Por que é tão difícil aliviar nossas mágoas e deitar-se com a pureza de um novo dia? Como é complicado distinguir o certo do errado, sem o peso do julgamento e sem uma clara distinção entre o que é fato e o que não é?
Somente quem carrega o peso sabe como é difícil não poder fazer nada ou fazer de tudo e nada mudar, com tudo permanecendo no mesmo lugar. É sufocante perceber que todos os dias são iguais aos que já passaram. Uma hora cansa, e o que é velho se torna ainda mais antigo, deixando pouco tempo para viver e sentir o prazer de verdade.
Certezas não tenho nenhuma. Interesses, tenho vários. Dores, tenho algumas. Decepção tenho para distribuir e guardar. Tenho esperança de que tudo mude, apesar de que, a cada dia, tudo pareça o mesmo e eu continue sofrendo da mesma forma.
Minha dor não é maior que a de ninguém, e eu não sou melhor que ninguém. Mas, para que viver, se não é para se sentir vivo? A vida é um circo, e eu sou o palhaço, fazendo os porcos gordos rirem. Sou o bagaço amassado da laranja, o último biscoito do pacote.
Será que dá para continuar vivendo assim, sem esperança de dias melhores? Dá para viver aprisionado na solidão? Será que é possível seguir à beira do abismo, torcendo para encontrar coragem de pular?
