O Barco
No barco, só há a aparência de paz, o tempo escorre em maravilhas silenciosas, e eu procuro no próprio tédio algum encanto que me desperte. No barco, não há desafios, tudo faço, mas nada verdadeiramente me toca ou me agrada. No barco, sou um menino à deriva, procurando um destino que nunca se revela, com a alma ferida, insistindo em continuar a navegar. Errante, balanço das ondas que sobem e desabam, no barco, sou um ninguém, um vulto à procura de se tornar alguém.
Na terra, o barco rasga o mar feroz como um dragão, um homem firme, focado, confiante, que parece vencer cada desafio com a força de quem domina os elementos. Na terra, as ondas são apenas marolas tímidas, suavizando as adversidades que se escondem no azul profundo do oceano.
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