Minha casa, meu lar, minha praia: eu nado de braçada. Mas a onda vem e me afunda. Estou em perigo; não vou conseguir sair daqui. Quero fugir, quero um lar em que eu me sinta seguro. Sou uma farsa ambulante, um impostor dentro do próprio corpo, do próprio lar.
Procuro um mapa que deveria conhecer de cor, mas perdi as coordenadas, as chaves do rio que milhões de vezes já atravessei. Seu olhar diz tudo: eu não vou conseguir. Eu não sou bom o suficiente.
Se algum dia prometi que tudo ia dar certo, peço desculpas — eu também acreditei nessa mentira.
Esse grupo não é pra mim. Não faço parte, não me encaixo. Sou o patinho feio, a ovelha negra, o gato rejeitado, a quarta-feira deslocada no meio da festa, o diferente que ninguém convidou.
Quero reencontrar o menino confiante que um dia não teve medo de nada, o pequeno herói que acreditava no futuro. Quero ser outra pessoa. Quero me quebrar inteiro pra nascer de novo. Mas assim… desse jeito… eu não vou conseguir.
Quero saber medir as palavras, sou péssimo: Falo torto, sinto torto, eu existo torto, por causa do impostor que habita em mim.

